Vamos convocar manifestações pela internet e celular para barrar os ruralistas
Animados pela atitude antiecológica e oportunista do presidente Lula e do PT, que precisam do apoio do PMDB para tentar ganhar a eleição 2010, os ruralistas vêm avançando rapidamente para desmontar a legislação ambiental brasileira e substituí-la por códigos fajutos nos estados, onde as autoridades estão sujeitas a toda sorte de pressão dos endinheirados produtores.
Primeiro, aprovaram em Santa Catarina um Código Ambiental de mentirinha, que desrespeita as leis federais e dá margem ao desmonte do verdadeiro Código Florestal, da Lei de Crimes Ambientais e das normas do Conselho Nacional de Meio Ambiente.
Agora, estão tentando aprovar na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul uma lei semelhante, também com o nome de Código Ambiental - na verdade, um código dos agropecuaristas na contramão da história, que fará o estado que foi pioneiro no combate ambientalista a regredir meio século, pelo menos. Como se não bastassem as secas que já vêm castigando o estado ano após ano, no rastro das mudanças climáticas e do desmatamento desde a ocupação colonial.
Esta iniciativa nos estados do Sul fazem parte da estratégia nacional dos ruralistas, comandados no Congresso pela senadora Katia Abreu (DEM-TO) e pelos deputados Valdir Colatto (PMDB-SC ) Moacir Micheletto (PMDB-PR), não apenas para acabar com o rigor do Codigo Florestal brasileiro e desautorizar o Conselho Nacional do Meio Ambiente mas, também, para forçar o Governo Lula a baixar nos próximos dias uma medida anistiando a multa devida a partir de 11/12/09 pelos fazendeiros que no país todo desmataram além do permitido em suas propriedades.
Eles conseguiram instalar na Câmara a comissão especial do código ambiental porque o PT deixou, em nome da aliança que precisa fazer com o PMDB para ter mais espaço de televisão e apoio nos estados para eleger a ministra Dilma Rousseff em 2010.
O mal que o PT está fazendo ao meio ambiente é irreparável - e Lula havia nos prometido pessoalmente em 2002 que daria todo apoio ao Ministério do Meio Ambiente. Agora, nem mesmo apresentar metas de redução das emissões de carbono na reunião da ONU em Copenhague, entre 7 e 13 de dezembro, o governo federal está conseguindo, pois fica encurralado entre a oposição direitista e seus aliados ruralistas aninhados no PMDB.
A tática dos ruralistas na Câmara Federal é repetir o que fizeram primeiro em Santa Catarina, onde aprovaram o Código Ambiental de mentirinha, para deixar que cada estado cuide do licenciamento, multa e legislação 0 e agora estão tentando fazer no Rio Grande do Sul e em outros estados.
A comissão do código ambiental em Brasília, segundo o deputado Ivan Valente (PSoL-SP), é o mesmo que entregar o galinheiro às raposas. As vozes que se levantaram contra foram apenas do PSoL e do PV, na pessoa do líder Edson Duarte (BA), pois o resto da esquerda é desenvolvimentista - como o deputado Aldo Rebelo, do PCdoB-SP, que ganhou o cargo de relator da comissão para fazer o jogo ambíguo que interessa aos ruralistas.
Ele faz parte da mesma corrente da ex-companheira Dilma, que um dia foram marxistas, idealistas, mas depois se enveredaram pelo nacional-desenvolvimentismo, que coloca em primeiro lugar o desenvolvimento das forças produtivas do grande capital, como se quisessem agora aperfeiçoar o capitalismo às custas do meio ambiente para, um dia, se gerar em seu âmago o germe do socialismo.
Sabemos que esta visão está errada, a antiga União Soviética foi um fracasso econômico e ambiental. A China, que conseguiu sobreviver, teve que abandonar estas teses erradas e hoje está contabilizando a perda que a destruição ambiental causa ao seu desenvolvimento econômico - calculado em meio por cento do PIB, por baixo.
Não temos muitas alternativas, pois a classe pobre não dispõe de informação e está nas mãos dos programas assistencialistas do governo do PT/PMDB. E a classe média só tem interesse em adquirir os bens superfluos produzidos pelo sistema capitalista, induzida pela propaganda na televisão, que faz parte do mesmo esquema de classe para dominar corações e mentes e produzir cada vez mais lucro.
Diante disso, só resta aos ativistas que formam a nova esquerda mundial, que são os ambientalistas, utilizar as modernas técnicas de comunicação em rede viabilizada pela internet e pelo celular para se estruturar e atacar as forças retrógradas através de manifestações de protesto. Será preciso trabalhar muito, diuturnamente, para mobilizar pessoas que impeçam com manifestações a aprovação das leis anti-ambientais.
Pela internet, pelo celular, organizando-se, ocupando as ruas, praças e esquinas, os ambientalistas podem levar esta mensagem à sociedade e promover pequenas, médias e grandes mobilizações em torno e dentro das casas legislativas, usando os mais diversos meios que ongs como o GreenPeace já aplicam há mais de 30 anos - ação direta, se possível espetacular, para sair no horário nobre, ocupando os meios de comunicação com estes protestos, que podem ser pacíficas mas têm que ser proativos, diretos, incisivos.
Com estas ações, manifestações, confrontos, empates, sit-ins, marchas e espetáculos de arte é possível, sim, interferir na opinião pública e fazer com que a mídia dos países consumidores (especialmente a Europa e o Japão) saibam que estão comprando carne e grãos de quem está destruindo o meio ambiente no Brasil.
Este parece ser o único caminho, que começa pela ação dos ativistas, atinge a consciência dos consumidores e afeta diretamente o bolso dos produtores.
Falar é fácil, difícil é agir - mas é preciso começar agora a refletir e rediscutir as ações políticas, diretas, se quisermos salvar pelo menos a esperança de um mundo melhor.
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