Com medo da mídia, ruralistas adiam desmonte do Código Florestal
A pressão da opinião pública, expressa pelas notícias e comentários no rádio, jornais, televisões e internet, fez com que a Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados, dominada pelos ruralistas, suspendesse a votação nesta quarta-feira (4/11) do projeto de lei que começava a derrubar o Código Florestal.
Oficialmente não teria havido número suficiente de membros da comissão, mas a verdade - confidenciada por deputados da Frente Parlamentar da Agropecuária - é que a bancada ruralista ficou com medo e resolveu deixar baixar a poeira, para voltar à carga na próxima semana.
A comissão adiou para a semana que vem a votação relatório do deputado Marcos Montes (DEM-MG) sobre o projeto de lei 6424, de 2005, ao qual foram apensados os PLs 6.840/2006 e 1.207/2007. As propostas alteram o Código Florestal (Lei 4771 de 1965), permitindo flexibilidades de interesse dos fazendeiros que desmataram acima do que permite a lei e não cumpriram a exigência de recomposição.
Entre os pontos que os ruralistas insistem em modificar está a forma de recuperação de Reservas Legais na Amazônia com espécies exóticas, anistia para os desmatamentos realizados antes de julho de 2006 (sem obrigatoriedade de recuperação) e definição das Áreas de Preservação Permanentes (APPs) pelos poderes locais.
Na última semana, a Fundação SOS Mata Atlântica e outras ONGs ambientalistas (como Greenpeace, Instituto Socioambiental, Rede de ONGs da Mata Atlântica e Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) conseguiram impedir a votação do Projeto de Lei.
O assunto foi para a grande imprensa, onde se mostrou o dano que o desmonte do Código Florestal causará à imagem do Brasil na reunião do clima em Copenhague, em dezembro.
Mas os ruralistas não desistiram - apenas esperam a hora certa para aprovar o projeto de seu interesse. Se os ambientalistas se desmobilizarem, a bancada que representa os grandes fazendeiros conseguirá seu intento mais adiante, às custas do ambiente e dos recursos naturais.
Comments are closed.